sábado, 19 de novembro de 2011

Crianças e condomínio. O direito de brincar.





Bons momentos para todos!
Queridos amigos estou vivenciando uma experiência bastante interessante como síndica do prédio em que moro. Este condomínio não me é uma novidade já que morei aqui durante muitos anos e passei parte da minha adolescência, juventude e nele vivi minha experiência como mãe iniciante de minha primeira filha e também o nascimento de minha segunda filha, alguns anos depois. É interessante porque posso perceber a involução solidária de muitos moradores que hoje ainda moram no mesmo lugar, mas que estão mais velhos com suas opções atuais.
O mais interessante é que em sua maioria absoluta, casaram, tiveram filhos e criaram seus filhos aqui. Hoje, alguns têm netos que não moram aqui, mas que visitam.
Meu ponto de curiosidade se volta para justamente essa intolerância, impaciência e má vontade que essas mesmas pessoas têm com as crianças de hoje.
Nós tínhamos um playground com brinquedos de ferro que atendiam muito bem às crianças da época, mas que com o tempo foram enferrujando, quebrando e aos poucos foram sendo retirados. Não foram recuperados nem trocados, simplismente foram retirados. O lugar foi dando espaço a vasos de plantas enormes tomando quase todo o local para que as crianças não tivesse mesmo lugar para brincar.
As características do condomínio são formadas por três prédios, onde deveriam ser interdependentes, mas que foram se “privatizando” pelo egoísmo, vaidade e intolerância das pessoas que não conseguiram lidar com um síndico geral e se fizeram independentes dentro de seus blocos. Mas e as áreas comuns? Digo que até hoje é motivo de brigas, picuinhas e ameaças de muitos que não conseguem viver nem conviver em comunidade e com suas divergências naturais. Tudo é motivo para briga. O estacionamento que não favorece a todos com vagas, o parqueamento com seus jardins que uns querem plantas altas, outros querem plantas baixas, outros nem plantas querem. Até os muros que protegem o condomínio é motivo de dissidências com discussões severas.
E as crianças? Esqueceram-se delas. Esqueceram que foram crianças, que tiveram crianças.
Se umas jogam bola no bloco A, são expulsas para os outros blocos que por suas vezes, também as expulsam de lá. Se correrem perturbam, se gritam, incomodam. Assim, elas vão se defendendo arrancando as plantas, batendo as portas, tomando as portarias. E as reclamações continuam...
Quando fui à reunião do condomínio, onde os interesses são equivocados e a minoria frequenta, não tinham interessados para a posição de síndico. Resolvi me candidatar.
Posso dizer que para mim ser síndica é como entrar numa fogueira acesa e ardente, mas também é uma oportunidade de, como num laboratório, pesquisar, testar e encontrar soluções para os problemas. Dos pequenos aos grandes.
Posso afirmar que não é fácil, mas não impossível. Zelo muito pelas crianças e sei pela minha experiência em escolas que criança precisa brincar extravasar, suar, movimentar sua criatividade e sua energia. Na sala de aula ou num apartamento elas pedem pausa nos estudos e na inércia e buscam espaço e movimento. Então, o sair é a solução e o parquinho, a área aberta com seu espaço e suas opções atendem a essa exigência natural de toda criança.
Nas escolas o intervalo do recreio atende a esses momentos, onde a criança “descansa” suas ansiedades. E nas residências? Hoje percebemos nos novos empreendimentos a valorização desses espaços de lazer e procuram valorizar mais o externo do que o interno, onde os apartamentos realmente são apertamentos precisando de móveis planejados que atendam ao espaço pequeno. Isso nos empreendimentos populares, pois encontramos empreendimentos mais luxuosos com apartamentos enormes. Então, nos apartamentos ou nos apertamentos, temos toda uma estrutura externa, onde as crianças, adultos e idosos encontram espaços para atividades diversas tirando-os dos apartamentos e consequentemente das atividades passivas da televisão, computadores e outros. Não que eles não sejam importantes, mas precisam ser dosados, equilibrados com as atividades físicas. Encontramos condomínios com play que tem diversos brinquedos, piscinas, salas de vídeos, espaços gourmets, academias e etc.
Concentro-me nas classes média e alta, pois as classes menos favorecidas usam a criatividade e adotam a rua, as praças, os campinhos e o que possam encontrar para os seus lazeres e observo que, apesar de toda carência, muitas crianças conseguem ser crianças em suas necessidades energéticas.
Nosso condomínio é antigo, nossos apartamentos não são tão apertados. Tínhamos um parquinho no play de cada bloco e como disse antes, com o tempo, foram se desgastando e retirados. Hoje, nossas crianças da geração atual, não têm mais esses parquinhos, os espaços estão tomados e suas energias podadas. Tento recolocar um parquinho, destes modernos de material plástico duro em doação, isso quer dizer sem custo para o condomínio e mesmo assim, me deparo com resistências de todo tipo.
Pergunto-me onde está a criança de cada um? Onde se encontra aquela alegria e energia pedindo espaço e oportunidade para expandir naturalmente nas brincadeiras, nas risadas, na alegria? Por que amadurecemos e nos fechamos? Por que envelhecemos e nos angustiamos? Por que nos tornamos tão intolerantes, ranzinzas egoístas que não conseguimos enxergar que também fomos crianças e gostávamos de brincar?  Os carros tomaram conta dos espaços externos num parqueamento que não tem garagem e sim espaços onde podemos colocar os carros, mas que não atende a todos, e mesmo assim, alguns colocam mais de um carro achando-se no direito de poder mais que os outros. Se pedirmos para num dia da semana retirar os carros para dar mais espaço às crianças acontecerá o caos, pois os carros são mais importantes que as crianças. Assim, elas se isolam nos programas da tv que manipulam e hipnotizam, nos computadores, celulares e nas músicas que as isolam com o fone de ouvido fazendo com que cada vez mais essas crianças se tornem adultos intolerantes, vaidosos e egocêntricos e a roda gira com suas rabugices com as gerações vindouras.
Tento conscientizar nossos vizinhos quanto à importância de socializarmos a todos, da criança ao velho, retomando a alegria de compartilhar. Começo com as crianças recuperando suas alegrias devolvendo espaços e brinquedos, onde possam extravasar e preparar seus corações para um futuro mais solidário, tolerante e compreensivo. Criança gosta de brincar e deve brincar. Paz e muito amor para todos. Valéria Ribeiro.

2 comentários:

Anônimo disse...

Moro em um apertamento, tenho um filho de 12a. quando ele desce para brincar sempre tem reclamação. Nao e facil, mas meu filho vai brincar sim, mesmo que tenha reclamaçao, nao vou criar um filho frustado por implicância dos outros condominos!
MAMAE! Silvia

Anônimo disse...